A quinta geração muda o equilíbrio da linha: deixa para trás parte da acomodação e da estabilidade do v4 para ganhar agilidade. A plataforma e o cabedal ficaram mais estreitos, enquanto a placa recebeu maior rigidez no antepé e uma curvatura revista. Lingueta, acolchoamento traseiro e solado também foram redesenhados.
As alturas declaradas passaram de 40 mm no calcanhar e 36 mm no antepé para 40 mm e 32 mm, elevando o drop de 4 mm para 8 mm. Drop é a diferença de altura entre essas regiões. O RunRepeat mediu 39,3 mm e 28,6 mm, resultando em 10,7 mm: uma diferença relevante em relação aos números declarados.
O peso informado de 214 g no US 9,5 masculino acompanha uma redução perceptível frente ao antecessor. Ainda assim, o modelo não está entre as alternativas mais leves da categoria.
Como o SuperComp Elite v5 se comporta na corrida?
A combinação de espuma PEBA e carbono entrega boa absorção de impacto, com uma sensação mais macia no calcanhar e mais firme na frente. O pequeno bisel traseiro facilita a transição de quem aterrissa nessa região. Já o rocker moderado permite uma passada menos guiada que a de modelos com curvaturas muito agressivas.
A resposta se torna mais convincente em ritmos rápidos, mas não é unanimidade: há avaliações de uma saída mais viva e outras de propulsão discreta. O ponto comum é que o conforto e a fixação se destacam mais consistentemente que a velocidade máxima. Meia maratona, maratona e treinos de ritmo são os usos mais coerentes, embora também possa entrar em provas curtas.
A boa aderência no molhado ajuda em percursos de asfalto com chuva. A base estreita, porém, limita o apoio no calcanhar e no mediopé; quem depende de estabilidade deve considerar essa característica antes de escolher o modelo.
Forma, numeração e durabilidade
A numeração habitual funciona para a maioria, inclusive nos votos agregados de usuários. O calcanhar e o mediopé ficam bem presos, e a frente oferece espaço relativamente generoso para um tênis de competição. Isso não significa uma forma ampla: o baixo volume pode pressionar pés largos ou deixar dúvidas para quem está entre tamanhos.
Experimentar antes da compra é especialmente importante nesses casos. O ilhó extra reforça a fixação traseira, mas a lingueta curta pode deixar o cadarço pressionar o peito do pé. Também convém ter cautela com calcanhares sensíveis e com o uso sem meias, devido à proteção dos dedos.
Na durabilidade, a Runnea relata pouco desgaste e propriedades praticamente intactas após 300 km. É um sinal favorável para alternar provas e treinos preparatórios, não uma garantia de vida útil. A região dos dedos merece inspeção, assim como o canal central, que pode acumular pedrinhas.
Nosso veredicto
O New Balance FuelCell SuperComp Elite v5 vale a pena para quem prioriza conforto, ajuste seguro e tração em um tênis de carbono para provas, sem querer uma geometria que imponha demais a passada. A evolução em agilidade é clara, mas vem acompanhada de menor estabilidade.
O preço elevado exige comparar prioridades. O Nike Air Zoom Alphafly Next 3 oferece uma base mais ampla e mais suporte; o Nike Vaporfly 4 é uma alternativa para reduzir peso, enquanto o adidas Adizero Adios Pro 4 aparece como opção de resposta mais explosiva. O Elite v5 faz mais sentido como complemento para competição e treinos rápidos do que como tênis único para a rotina.